A decisão do Copom de manter a Selic em 10,5% foi unânime, mas o debate interno foi intenso. De um lado, a inflação de serviços — que continua acima da meta — exige cautela. Do outro, o crescimento econômico mostra sinais de desaceleração que preocupam.
Este é o dilema clássico de política monetária: apertar demais e matar o crescimento, ou afrouxar cedo demais e deixar a inflação se consolidar. O Banco Central brasileiro está navegando esse equilíbrio com mais habilidade do que os críticos reconhecem.
O IPCA de serviços está em 6,8% nos últimos 12 meses — bem acima da meta de 3%. Isso reflete um mercado de trabalho aquecido: com desemprego em 6,8% (o menor desde 2014), os trabalhadores têm poder de barganha para negociar reajustes salariais acima da inflação. Esses reajustes se transmitem para os preços dos serviços.
"A inflação de serviços é a mais persistente e a mais difícil de controlar com política monetária. Ela responde a juros, mas com defasagem longa e de forma incompleta."
Manter a Selic alta tem custos reais. O crédito fica mais caro, o investimento privado desacelera, e o consumo das famílias endividadas é comprimido. O crescimento do PIB em 2025 deve ficar em 2,4% — abaixo do potencial de 3%. Essa diferença representa empregos que não foram criados e renda que não foi gerada.
O Banco Central está ciente desses custos. Mas sua mandato é a estabilidade de preços, não o crescimento. E enquanto a inflação de serviços estiver acima da meta, o espaço para cortar juros é limitado.